updated 3:02 PM UTC, Nov 15, 2018

Audiência Pública debate as Diretrizes Curriculares para o curso de Farmácia

A sessão foi coordenada pelo conselheiro do CNE, Luiz Roberto Curi, que destacou a seriedade e a imparcialidade com que foram conduzidas as discussões sobre as DCNs. A Fenafar, a Escola Nacional dos Farmacêuticos, a Associação Brasileira de Educação Farmacêutica (ABEF), o Conselho Federal de Farmácia e outras entidades farmacêuticas participaram nesta segunda-feira (3) de uma audiência pública realizada pelo Conselho Nacional de Educação para debater as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Graduação em Farmácia (DCNs).

A sessão foi coordenada pelo conselheiro do CNE, Luiz Roberto Curi, que destacou a seriedade e a imparcialidade com que foram conduzidas as discussões sobre as DCNs.

A coordenadora geral da Escola Nacional dos Farmacêuticos e diretora de Educação da Fenafar, Silvana Nair Leite, destaca a importância da audiência. “A Audiência Pública tem um papel fundamental para ouvir a sociedade a respeito da proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais que foi encaminhada ao Conselho Nacional de Educação pela ABEF e pelo CFF. Sempre é fundamental sublinhar que esta proposta é fruto de um debate amplo, construído a partir de um processo coletivo em dezenas de fóruns e reuniões que envolveram os vários setores da profissão farmacêutica. Portanto é uma proposta da categoria farmacêutica, muita coletivizada, com muitas oportunidades de discussão durante os anos de 2015 e 2016 e que nós apoiamos”.

As contribuições de todos esses atores foram debatidas durante o I Encontro Nacional de Educadores em Farmácia Clínica, realizado em maio de 2015, em Gramado (RS), e no I Fórum Nacional de Discussão sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia, que ocorreu simultaneamente ao Congresso Brasileiro de Educação Farmacêutica (Cobef), em junho daquele mesmo ano, em Salvador (BA).

O CNE acatou basicamente toda a proposta apresentada pela categoria e isso é algo que reflete a qualidade do documento e do processo coletivo de elaboração que resultou nessa proposta. Porém, dois aspectos que não foram incorporados pelo Conselho de Educação despertam a preocupação das entidades e foram os dois temas que polarizaram o debate na audiência pública. Foram as questões relativas ao regime de oferta do curso – se presencial ou se à distância – e o tempo de duração do curso. Pela proposta das entidades o curso deve ser presencial e a sua duração precisa ser ampliada das atuais 4 mil horas para 5 mil horas.

Silvana, ao fundo, Débora, Marselle e CatarinePara Catarine Cavalcanti, coordenadora da Escola Nacional dos Farmacêuticos a audiência “foi bastante produtiva e enriquecedora, porque a maioria das intervenções mostrou a necessidade de rever a carga horária máxima do curso e a necessidade do curso ser presencial, uma vez que se trata de um curso de saúde e deste novo currículo que possui como eixo principal o medicamento e a prática do cuidado”.

Silvana Nair Leite, que tem acompanhado o debate sobre o ensino de farmácia há vários anos, considera um problema “nenhum destes dois pontos estejam garantidos na audiência pública”. Isso porque, como argumenta Silvana, a proposta de DCN está toda “pensada a partir dos cenários de prática e dos âmbitos de atuação profissional, que deixa muito claro a formação de um farmacêutico profissional de saúde muito preparado para atuar em equipes multiprofissionais, na saúde coletiva. E que esta forma, de desenhar as competências profissionais nas DCN's claramente indica a necessidade de uma formçaão muito solida tanto nas capacidades técnicas e tencnológicas que é uma característica da nossa profissão quanto nas habilidades e competências relacionais”. Por isso, Silvana afirma que essa visão implica na oferta de um curso presencial com duração mínima de 5 mil horas.

O conselheiro Luiz Roberto Curi deixou isso explícito em sua fala. Ele destacou que as diretrizes curriculares não são o documento ideal para compor o formato dos cursos [duração e regime], e, sim, decretos que estabelecem limites regulatórios para essas questões.

Desta forma, Silvana lamenta que “todos os pontos que fomos defender lá não foram garantidos porque o Conselho Nacional de Educação não vai definir isso nesta etapa. Portanto, fica a tarefa para todos nós, representantes da nossa categoria, e para a toda a categoria, farmacêuticos e estudantes, de que nós precisamos continuar com uma forte mobilização em defesa dessas questões, defesa do aumento da carga horária do curso e da presencialidade do curso, porque isso será definido por outras estâncias, por decreto presidencial e por outras estâncias do MEC. Então vale a nossa mobilização”, conclama.

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) devem ser norteadoras para a estruturação dos projetos pedagógicos e matrizes curriculares dos cursos de Norte a Sul do Brasil. Como tal, as DCN da Farmácia precisam expressar claramente os elementos fundamentais da formação do farmacêutico que o país precisa. O farmacêutico é um trabalhador de saúde, que exerce atividades em diversos setores produtivos, desde a indústria ao serviço. O atual paradigma do farmacêutico exige formação orientada para o cuidado das pessoas, das famílias e da comunidade. O desenvolvimento de competências e habilidades relacionais e de comunicação é fundamental para o farmacêutico realizar seu trabalho. Além da relação com o usuário, o farmacêutico geralmente realiza atividades em equipes multiprofissionais”, destacou Marselle Carvalho. Ela também defendeu que o texto das Diretrizes Curriculares Nacionais traga, explicitamente, a definição de uma carga horária mínima de 5 mil horas desenvolvida ao longo de, no minimo, cinco anos e de forma presencial. "A formação do farmacêutico que o país precisa deve garantir a integração das diversas areas do conhecimento presentes nos eixos cuidado, gestão e tecnologia, o que exige o desenvolvimento de competências complexas. Além disso, precisamos compreender que area tecnologica é estrategica para a soberania do país e fundamental para a garantia do direito a saúde integral da populacao. O desenvolvimento de tecnologias e o cuidado em saúde exigem a vivência em diversos cenários de prática durante o curso, e não apenas nas séries finais, que certamente só pode ser realizado em cursos com carga horária mínima de 5 mil horas, com duração, no minimo, de cinco anos".

A diretora de Organização Sindical da Fenafar, Débora Melecchi também participou da audiência e usou o seu tempo para mostrar que há uma relação intrínsinca entre as diretrizes e o Sistema Único de Saúde. “A assistência farmacêutica em todos os seus níves, passa necessariamente pela questão de recursos humanos. E as diretrizes curriculares dos cursos das áreas de Saúde apontam o SUS como objeto de formação e sob este aspecto é que se assenta a resolução do Conselho Nacional de Saúde 350/2005. Ela destaca as necessidades sociais e relevância social dos cursos. A Fenafar defende que o farmacêutico precisa ser formado para atuar no sistema de saúde do País. Assim compreendemos que para ter um profissional em sintonia com as dimensões da saúde e do trabalho, e preparado para prestar serviços de assistência farmacêutica para a populçaão, é necessário que estas habilidades estejam inseridas na formação acadêmica do farmacêutico e no contexto do sistema único de saúde. Desta forma, solicitamos que no artigo 12 do projeto pedagógico do curso, garanta a integração ensino – serviço – comunidade e que preveja as atividades práticas devam contemplar o previsto na resolução do CNE”

O relator da audiência, conselheiro do CNE, Yugo Okida, ressaltou que a entidade irá avaliar as sugestões recebidas, tanto presencialmente como pela internet, e destacou que todas as contribuições devem estar de acordo com a legislação vigente. “Tudo será avaliado e analisado de acordo com a legislação vigente e os resultados serão apresentados na Reunião Geral do CNE, que será realizada em junho, em Manaus (AM). Em seguida, será encaminhada para a homologação do Ministro da Educação”, encerrou.

Da redação

Eficácia de vacina contra Ebola

Vacina contra ebola Vacina contra ebolaA vacina contra o vírus Ebola teve sua eficácia confirmada por cientistas após testes realizados em Guiné e em Serra Leoa.

A droga oferece 100% de proteção, segundo o jornal cientifico The Lancet, que publicou o resultado. Batizada de rVSV-ZEBOV, a vacina, produzida pelo laboratório Merck, Sharp & Dohme, foi aplicada em cerca de 6.000 pessoas, adultos e crianças. Dez dias depois, todos estavam imunes à doença. Em um grupo de mesma proporção, que não foi vacinado, 23 pessoas contraíram o vírus. Os escolhidos para receberem a droga tiveram algum contato com alguém infectado com Ebola pelo menos três semanas antes.

Anvisa contesta Fantástico: genérico é seguro

Anvisa contesta reportagem do dominical da Rede Globo, e garante eficácia e segurança dos medicamentos genéricos.

A respeito da matéria "Fantástico testa a qualidade dos genéricos mais vendidos no Brasil", exibida pelo programa na TV Globo neste domingo (29/01), na qual foram avaliados quinze medicamentos genéricos com os princípios ativos dipirona sódica, losartana potássica e sildenafila, a Anvisa esclarece

O Centro de Estudos e Desenvolvimento Analítico Farmacêutico (CEDAFAR) da Universidade Federal de Minas Gerais, contratado pela produção do Fantástico para os estudos, nunca foi habilitado pela Anvisa para realizar testes em medicamentos para efeito de análise fiscal. A análise fiscal, que é efetuada em drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, destinada a comprovar a sua conformidade com a fórmula que deu origem ao registro, segue regras definidas pela Agência, garantindo-se sempre a coleta de três conjuntos de amostras do medicamento a ser analisado; a possibilidade de o teste ser acompanhado por um perito indicado pela empresa; e sua realização exclusivamente em laboratório habilitado para esse fim. Esse rigor é necessário para evitar concorrência desleal entre fabricantes, que poderiam encomendar testes em laboratórios não habilitados apenas para gerar dúvidas sobre produtos concorrentes.
O CEDAFAR é habilitado pela Agência, assim como outros laboratórios, apenas para realizar ensaios de equivalência farmacêutica visando o processo de registro de medicamento. Esses testes são, depois de realizados, analisados tecnicamente pela Anvisa, que verifica sua consistência técnica, juntamente com outros parâmetros, e decide pela concessão do registro. O CEDAFAR já teve sua habilitação para realizar esses testes suspensa pela Agência em duas ocasiões, a última delas no período de 12/09/2015 até 03/02/2016, pois nenhum de seus equipamentos, na inspeção realizada pela Anvisa, estava calibrado de acordo com as normas vigentes. A informação de que o CEDAFAR não é habilitado para realizar testes de análise fiscal foi repassada à reportagem, mas foi sonegada pelo Fantástico aos seus espectadores, dando a falsa impressão de que o laboratório é credenciado para todos os tipos de testes.
Causou espanto, também, a alegação dada pela reportagem de que o teste de bioequivalência dos medicamentos, que é, em todo o mundo, o teste mais importante e conclusivo para definir se um genérico é realmente equivalente ao medicamento de referência, não foi realizado por "questões éticas". Isso não é verdade. Não haveria nenhum impeditivo ético para que esses testes fossem realizados, desde que cumpridas as normativas éticas vigentes de serem submetidos e aprovados por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) credenciado no Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde/MS. Pelo contrário, uma vez realizados tais testes, eles poderiam fornecer uma informação conclusiva.
Testes de bioequivalência são realizados em voluntários sadios e medem a concentração do produto no sangue, possibilitando, sem nenhuma dúvida, a avaliação definitiva sobre a ação real do medicamento no organismo humano. Os testes que foram realizados pelo laboratório contratado pelo Fantástico – de teor e de dissolução do princípio ativo – são importantes, mas não suficientes. Ou seja, não são capazes de assegurar a equivalência farmacêutica dos medicamentos genéricos com os medicamentos de referência, o que é feito pelo teste de bioequivalência, que não foi realizado para a reportagem.
Essa regra de tomar o teste de bioequivalência como o definitivo para avaliar os medicamentos genéricos é utilizada pela Anvisa, assim como pelas agências de medicamentos dos Estados Unidos, Canadá e Japão e países da Europa, entre outros.
Porém, ainda que o Fantástico tenha exibido resultados de testes realizados sem o cumprimento dos requerimentos técnicos e regulatórios para uma análise apropriada, a Anvisa analisou os resultados, enviados pelo CEDAFAR, e informa que:

1 - Todos os lotes de medicamentos com os princípios ativos sildenafila (duas amostras) e losartana potássica (oito amostras) estavam em condições sanitárias satisfatórias, ou seja, dentro dos padrões esperados. Os próprios laudos informaram que os lotes dos medicamentos testados são equivalentes aos medicamentos de referência. Esses resultados coincidem com os testes semelhantes que os produtores são obrigados a apresentar para solicitar o pedido de registro e que são, criteriosamente, analisados pela Agência antes de conceder o registro;
2 – Quatro das cinco amostras de dipirona sódica testadas estavam em condições sanitárias satisfatórias;
3 – O lote b16d1090 de dipirona sódica solução oral 500 mg/ml, da empresa Brainfarma, apresentou resultado aparentemente insatisfatório em relação ao teste de teor. A concentração média de dipirona encontrada foi de 92,87%, valor inferior ao estabelecido como referência, que é de 95,00%. Apesar dos exames realizados por contratação do programa Fantástico não terem validade legal, a Anvisa, cumprindo sua missão de proteger a saúde da população e como o faz com qualquer denúncia sobre irregularidades em medicamentos, já iniciou os procedimentos para apurar se, nesse lote específico, existe mesmo teor inferior ao que é obrigatório. A Agência notificou a Brainfarma a prestar informações quanto ao lote analisado. Além disso, está em curso a coleta de análise fiscal do referido produto. Esses procedimentos têm regras bem definidas para que os resultados não deixem qualquer dúvida sobre sua interpretação. Serão coletadas três grupos de amostras (prova, contraprova e testemunho) e os exames serão realizados em laboratório oficial. Vale ressaltar que, em 2014, a Brainfarma, por ocasião de renovação do registro deste medicamento, apresentou à Anvisa estudo de equivalência farmacêutica, realizado por laboratório credenciado pela Agência, que concluiu pela equivalência farmacêutica da dipirona sódica. O laudo apresentado pela empresa, na ocasião, obteve resultado de teor de 104,19%. Os testes que ora a Anvisa está determinando a realização dirimirão qualquer dúvida e permitirão o esclarecimento se esse lote do medicamento se encontra regularmente dentro dos parâmetros exigidos;
4 – Sobre possível irregularidade em um lote do medicamento losartana potássica, comprimido 50 mg, da empresa EMS S/A, é preciso esclarecer que a metodologia utilizada pelo CEDAFAR foi diferente da que está autorizada e considerada como de referência pela Anvisa para testar a equivalência farmacêutica nesse medicamento. O teor médio encontrado de losartana potássica 50mg, da empresa em questão, foi de 94,82%, valor superior ao estabelecido como referência em seu registro vigente, que é de 90,00%. Utilizar metodologia diferente significa que não é possível comparar os resultados obtidos com aqueles que deveriam ser apresentados pelo produto, não havendo base técnica e científica para considerar que pode haver irregularidades;
5 - Sobre os resultados dos testes dos perfis de dissolução dos lotes de losartana das empresas Medley, Geolab e Pratti, a Anvisa esclarece que a comparabilidade de perfil de dissolução entre o medicamento genérico e o medicamento de referência não é conclusivo para registro ou comercialização de medicamento genérico no Brasil, bem como estabelece as principais agências regulatórias do mundo;
5.1 – Na matéria do Fantástico, os especialistas que foram ouvidos não diferenciaram "dissolução" e "perfil de dissolução", confundindo os dois conceitos. Não sabemos se por falha na edição ou por não saberem exatamente que teste havia sido realizado. Dissolução é um ensaio utilizado para controle de qualidade, enquanto o perfil de dissolução é apropriado para o desenvolvimento de formulações. Perfil de dissolução com meios farmacopeicos não tem como objetivo prever biodisponibilidade. Ou seja, não existe uma relação científica entre o desempenho de um medicamento no teste de perfil de dissolução e o comportamento que esse produto apresentará no organismo humano. A reportagem fez, portanto, afirmações completamente desprovidas de base técnica e científica. Todas as informações relativas às metodologias foram previamente prestadas pela Anvisa à reportagem. Porém, por motivos que desconhecemos, não foram utilizadas na matéria.
5.2 – Os medicamentos genéricos à base de losartana das empresas Medley, Geolab e Pratti apresentaram à Anvisa, no momento do seu pedido de registro, testes de bioequivalência satisfatórios. Portanto, são considerados equivalentes ao medicamento de referência;
6 - Diferente do que afirma a reportagem do Fantástico, a Anvisa não foi questionada sobre quantos laboratórios utilizaram metodologias próprias no registro do medicamento losartana potássica. A reportagem perguntou quais eram as metodologias específicas usadas nos registos de cada uma das losartanas potássicas analisadas pelo CEDAFAR. A Agência informou que as metodologias não famacopeicas desenvolvidas pelos fabricantes – e que foram analisadas e aprovadas durante o processo de registro - são disponibilizadas para os laboratórios oficiais quando estes realizam análise fiscal.
7 – As normas técnicas estabelecidas pela Anvisa baseiam-se sempre nas melhores evidências técnicas e cientificas disponíveis e nas melhores práticas internacionais. Dos comitês técnicos e grupos de trabalho que auxiliam a Agência na elaboração dessas normas, participam os melhores profissionais brasileiros de diversas áreas, assegurando-se sempre a ausência de qualquer conflito de interesse e a pluralidade. Assim, não há base nenhuma para a afirmação do Fantástico de que haja "divergências" entre a Agência e especialistas.
8 – A Anvisa realiza o monitoramento permanente da qualidade dos medicamentos comercializados no Brasil. Em 2016, a Agência suspendeu a comercialização de 95 diferentes lotes de medicamentos com suspeitas de desvios de qualidade. Essa ação decorre tanto de inspeções de rotina em fábricas de medicamentos como em razão de queixas apresentadas por pacientes ou profissionais de saúde sobre suspeita de ineficácia de um determinado medicamento ou reações adversas não previstas;
9 – A Agência não recebeu nenhuma queixa de desvio de qualidade dos lotes dos medicamentos que foram "testados" no laboratório contratado pelo Fantástico e relacionados com possível ineficácia;
10 - Para assegurar a qualidade dos medicamentos em uso no Brasil, sejam genéricos ou de referência, a Agência desenvolve um conjunto de ações complementares que incluem: a certificação da qualidade dos produtores; a análise dos registros e modificações de pós-registro; as ações de farmacovigilância; as inspeções nos fabricantes; e um programa de monitoramento da qualidade, chamado Proveme. Em 2016, 70% das amostras analisadas no âmbito desse Programa foram de medicamentos genéricos. Nenhuma dessas amostras foi considerada insatisfatória; e
11 – O consumo de medicamentos genéricos é seguro, assim como os de medicamentos de referência. É absolutamente equivocada, e perigosa para a saúde da população, a afirmação feita pela matéria de que caberia aos médicos indicar a cada paciente qual o genérico que tem qualidade. Os médicos não dispõem de meios para fazer tal afirmação. No mundo desenvolvido, são as agências regulatórias que estabelecem as normas para assegurar a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos. Opiniões individuais, sem qualquer base científica, podem ensejar orientações equivocadas, baseadas em preconceitos, em desinformação ou até mesmo em interesses comercias escusos. Nesse sentido, a matéria presta um desserviço à população ao fornecer informações incompletas e não oficiais sobre a qualidade de medicamentos.
12 - A Anvisa desenvolve, de forma contínua, esse conjunto de ações para garantir a qualidade, segurança e eficácia de todos os medicamentos produzidos em nosso país, sempre em convergência com as melhores práticas internacionais.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Anvisa
Fonte: Conselho Federal de Farmácia

Vacina evita a volta da leucemia

Uma vacina pode ajudar na cura da leucemia mieloide aguda (LMA) sem a necessidade do transplante de medula óssea.

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram uma fórmula composta por células humanas e que, aplicada em pacientes depois do fim das sessões de quimioterapia, evita as recaídas, problema frequente durante esse tipo de tratamento. Os criadores acreditam que a substância protetiva poderá ser útil principalmente para os indivíduos mais velhos, que têm grandes restrições ao transplante. Detalhes do trabalho foram divulgados na edição desta semana da revista Science Translational Medicine.
Impulsionar o sistema imune para combater doenças graves é uma estratégia que tem sido bastante explorada na área médica. Com base em resultados positivos dessa prática, os investigadores resolveram testar a mesma técnica contra a LMA, a leucemia mais comum em adultos. "Métodos de imunoterapia alavancam os sistemas de defesa do corpo para combater as células cancerosas. Ao criar uma vacina personalizada, usamos o poder do sistema imunológico para, seletivamente, segmentar o câncer de cada paciente e evitar os efeitos colaterais da quimioterapia", explica, em comunicado, David Avigan, um dos autores e professor de Medicina da Universidade de Harvard.

Anticorpo neutraliza vírus da zika em camundongos

Dois importantes anúncios apontaram para o desenvolvimento de drogas eficazes contra o zika.

Há um ano, o Ministério da Saúde reconhecia uma relação entre o número de recém-nascidos com microcefalia e o zika. Rapidamente, o mundo aprendeu que não se tratava de um problema brasileiro. A ameça do vírus era global. Teve início, então, uma corrida por medicamentos e vacinas que enfrentassem uma doença sobre a qual ainda se sabe pouco, considerando a complexidade de suas consequências.

Dois importantes anúncios apontaram para o desenvolvimento de drogas eficazes contra o zika. Um tem como foco o extermínio do microrganismo dentro do corpo. Outro pode evitar um dos efeitos mais cruéis da infecção: a microcefalia.

No Instituto Butantan, de São Paulo, o Grupo de Ação Rápida para Doenças Emergentes (Garde) identificou cinco medicamentos com potencial de combater o zika. “A situação da doença está tão terrível que precisamos encontrar formas inteligentes de desenvolver um composto.

A pesquisa de moléculas já existentes no mercado encurta esse tempo”, conta o biólogo brasiliense Lucio Holanda Gondim de Freitas-Junior, pesquisador do Garde. Utilizando um modelo de células humanas, os cientistas brasileiros e franceses que integram o time começaram testando 725 medicamentos. “Nós infectávamos as células e víamos se os compostos conseguiam matar o vírus sem matar a célula”, explica Freitas Junior. Vinte e nove se mostraram promissores.

Essas drogas foram, então, avaliadas pelo químico médico Gilles Courtemanche, diretor do Instituto de Pesquisa Tecnológica Bioaster, na França. Ele reduziu ainda mais o número, chegando a cinco medicamentos que, originalmente, foram desenvolvidos para o tratamento de câncer, infecções bacterianas e virais, e enjoo provocado pela quimioterapia.

Esse último, o palonosetron, é o que mais entusiasma o microbiólogo brasiliense. “Ele tem capacidade de romper a barreira sangue-cérebro, e não são todas as moléculas que fazem isso”, diz. Como o zika provoca alterações neurológicas, essa é uma característica importante para uma droga que vise combater a doença.

De acordo com Freitas-Junior, a partir de agora, há duas linhas de pesquisa para explorar o potencial dessas moléculas em humanos. Uma delas é o próprio ensaio clínico. “Como são medicamentos que já tiveram a segurança testada e existem no mercado, é possível começar os testes em humanos, inclusive em grávidas”, diz.

A outra possibilidade é partir para o melhoramento dos compostos a fim de adaptá-los às especificidades do zika. Isso está sendo feito com o palonosetron, explica o cientista, especialista no desenvolvimento de tratamento para doenças negligenciadas. O resultado do trabalho do grupo foi publicado na F1000 Research, uma plataforma on-line que pode ser acessada de graça por pesquisadores do mundo inteiro.

Linhagens neutralizadas

Outro importante anúncio foi feito na publicação on-line da revista Nature por cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Em ratos, eles conseguiram evitar a microcefalia, um dos componentes da síndrome neurológica associada ao zika. Na pesquisa, a equipe, chefiada por Michael Diamond, do Departamento de Medicina, Microbiologia Molecular, Patologia e Imunologia da instituição, isolou células B, que integram o sistema imunológico, da amostra de pessoas infectadas pelo vírus, incluindo pacientes brasileiros, da Paraíba.

Em resposta à infecção, o organismo desses indivíduos produziu alguns anticorpos, que foram isolados pelos cientistas. O mais promissor, chamado ZIKV-117, depois de sintetizado em laboratório, foi capaz de neutralizar todas as linhagens do vírus, procedentes da África, da Ásia e da América (no caso, o Brasil).

Uma das linhas do estudo mostrou que esse agente imunológico pode tratar a infecção ativa. Machos que receberam uma dose única do ZIKV-117 até cinco dias após serem infectados tinham mais probabilidade de sobreviver que aqueles do grupo de controle.

Em outro experimento, os cientistas aplicaram o anticorpo em fêmeas grávidas antes ou depois da infecção. Nos dois casos, não só a carga viral na mãe e no feto foi reduzida, como o vírus provocou menos danos à placenta e ao feto. Diferentemente das cobaias do grupo de controle, as placentas das que receberam tratamento estavam normais e saudáveis.

Sabe-se que um dos mecanismos pelos quais o zika provoca morte fetal e microcefalia é justamente danificando esse órgão. Os cientistas afirmaram que não viram qualquer alteração nos vasos sanguíneos dos fetos, nem sinais de afinamento placentário ou de qualquer outra restrição de crescimento nos ratos cujas mães receberam o anticorpo.

Isso indica que, ao menos em modelos animais, o ZIKV-117 evita que o vírus ultrapasse a barreira da placenta. “Esse é o primeiro antiviral que funcionou no sentido de proteger fetos em desenvolvimento do vírus zika”, conta Diamond. “É a prova de que se pode tratar a doença durante a gestação e que já temos um anticorpo humano que faz isso, ao menos em ratos”, diz.

Como o ZIKV-117 evitou problemas no sistema nervoso central, além da microcefalia, ele tem o potencial de evitar outros sintomas neurológicos da doença, que também pode provocar problemas de visão, audição e motores, entre outros. Diamond ressalta que, nos ratos adultos, o anticorpo reverteu danos cerebrais decorrentes da infecção.

Antes de o agente imunológico ser testado em humanos, é preciso repetir a pesquisa em outros modelos animais. “É um trabalho inovador não só no controle da doença, mas para evitar a má-formação fetal”, avalia a professora da Universidade Federal do Pará Helena Bicudo, consultora do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “O que é muito interessante é que o anticorpo conseguiu neutralizar amplamente a infecção em todas as linhagens do vírus testada, sendo duas estirpes africanas, duas asiáticas e uma brasileira”, destaca. “Contudo, são necessários mais testes. Esse é experimental e, só depois que se fizer em humanos, se poderá criar um medicamento ou uma vacina a partir dele”, lembra.

Como são medicamentos que já tiveram a segurança testada e existem no mercado, é possível começar os testes em humanos, inclusive em grávidas” Lucio Holanda Gondim de Freitas-Junior, biólogo brasiliense e integrante do estudo do Instituto Butantan.

Com informações do Correio Braziliense

Escola elege nova gestão

Aconteceu em São Paulo no último dia 27 de agosto de 2016 a eleição para a diretoria colegiada e conselho fiscal da Escola Nacional dos Farmacêuticos - ENAF, para o período de 2016 – 2019.

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